Tenho muito orgulho da minha profissão. Como muitos sabem, sou médico, especializado em Anestesiologia e Clínica de Dor - e muito me entristece em ver a desvalorização que hoje, nós, médicos anestesistas sofrem.
Bom, a princípio, gostaria de tentar tirar da cabeça de algumas (e são muitas) pessoas, o fato da anestesia em si ser a pior parte de uma cirurgia, de verdade, não é. É claro que todo o ato cirúrgico em si, desde a Técnica anestésica até seu pós operatório, requer cuidados e possuem seus riscos.
Resolvi escrever hoje sobre isso pois percebi que para 98,9% dos pacientes e pessoas que encontro, a anestesia sempre foi um elefante branco. Para mim é comum escutar coisas do tipo: "Doutor, eu não tenho medo da cirurgia, mas tenho medo da anestesia".
Então, resolvi escrever aqui um simples passo a passo do ato anestésico:
Antes de qualquer ato anestésico o profissional devera monitorizar o paciente, segundo o Parecer do CFM 1363/93. Esse Parecer também estabelece as condicoes minimas para a pratica do ato anestesico. Na maioria dos casos, serão monitorizados: Atividade elétrica do coração (ECG), Pressão arterial e Oxigênio que chega as extremidades (Saturação de oxigênio).
Após esta monitorização, o paciente estará apto para receber a anestesia, e esta depende muito do tipo de cirurgia que o paciente irá fazer e da conduta do profissional. Eis os tipos:
A Anestesia Geral consiste em retirar a consciência, os reflexos e a dor do doente para que ele seja operado. Apesar de existirem conceitos mais modernos, creio que esses ilustrem bem a técnica.
Podem ser realizada através de técnica inalatoria onde o paciente inala o anestesico, e enquanto houver a inalação haverá anestesia. Outra técnica é apenas infundir medicações venosas durante a cirurgia para que o paciente seja operado.A anestesia Geral é a única anestesia que serve para qualquer tipo de cirurgia.
A Raqianestesia Consiste na injeção de anestesico dentro do canal que leva a condução das sensações táteis e dolorosas das pernas e barriga ao cérebro. Há vários artificios hoje em dia para aumentar ou diminuir a altura da anestesia (anestesiar só as pernas ou podendo se estender até a barriga. Vale lembrar que nesta modalidade anestésica, a anestesia se instala até um nível (por exemplo umbigo) e tudo o que estiver abaixo dele estará anestesiado (pênis ou vagina, anus, pernas, etc). A anestesia vai se instalando de baixo pra cima (no exemplo, do pé até o umbigo) e ao término segue o caminho inverso (vai perdendo a anestesia lentamente do umbigo e a ultima parte a perder a anestesia é o pé).O paciente não mexe as pernas.
Peridural - O nome mais correto é epidural mas todos conhecem mesmo como peridural.Também é realizada nas costas, como a raqui, mas trata-se de anestesiar na maioria das vezes, apenas as fibras nervosas que conduzem a dor. Pode acontecer também do anestésico impedir a movimentação das pernas. Esta técnica retira a dor, permitindo a sensação tátil e pressórica.(sente apertar). Geralmente associada de uma sedação para evitar o desconforto dessas sensações "estranhas" de puxar e mexer durante a cirurgia. Os bloqueios de nervos periféricos são outro tipo e, neste caso, o anestesiologista administra o anestésico apenas ao redor dos nervos que irão para o local da cirurgia a ser realizada. Por exemplo, cirurgias sobre a mão podem ser realizadas com bloqueios dos nervos que inervam a mão, através da administração de anestésicos próximos a estes, na altura da axila ou do pescoço.
E por último a anestesia local, que é utilizada, na maioria dos casos, para cirurgias pequenas e também combinada com a anestesia geral.
Bom, espero, com este texto, poder começar a simplificar um pouco do nosso trabalho, e estarei sempre por aqui para esclarecer todas as dúvidas sobre Anestesia!
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