Resolvi escrever sobre os erros que mais escuto dos meus amigos médicos em relação ao tratamento medicamentoso de pacientes portadores de doenças crônicas-degenerativas: O uso irresponsável dos medicamentos contínuos. Me informei sobre o tema, e descobri uma pesquisa do Hospital Universitário de Brasília, onde ficou registrado que cerca de 30% das internações nos hospitais são decorrentes de erros com a medicação. Por isso, resolvi listar aqui alguns dos principais erros cometidos por quem usa medicamentos de uso contínuo.
São dois os principais motivos que levam os pacientes a abandonar o tratamento sem consultar o médico. Alguns têm medo de viciar nas medicações e outros acreditam que, quando acabam os sintomas, não há necessidade de continuar com remédios. No caso de doenças como a asma, por exemplo, a interrupção do tratamento abre portas a crises que podem até levar o paciente à morte. Outro problema é que os sintomas voltam a aparecer e o organismo pode ficar com danos irreversíveis, como no caso de hipertensão ou outras doenças silenciosas. A única pessoa que pode definir com segurança quando cessar as medicações é o médico.
Existe uma lógica no estabelecimento dos horários para tomar o medicamento e eles devem ser respeitados para que o tratamento seja eficaz. O intervalo entre uma dose e outra é calculado para que o paciente não fique sem o efeito da medicação ou com uma dosagem muito alta no organismo. Além disso, os horários devem se adequar à rotina do paciente. Quem trabalha de dia tem um risco maior de sofrer uma queda de pressão nesse horário, então a medicação deve ser focada principalmente nesse período. Se a sua medicação atrapalha o seu dia a dia, converse com seu médico.
Compensar a dose pode até funcionar para alguns anticoncepcionais orais, mas não necessariamente para medicações de asma, por exemplo. Segundo o especialista, a automedicação é responsável por milhares de mortes e internações todos os anos.Algumas empresas fabricantes de medicamentos, inclusive, já criaram um sistema amigável de uso pelos pacientes, diferenciando comprimidos por cor ou oferecendo alguma medida de controlar a dose certa. Se este não for o caso, vale deixar um calendário na geladeira e até programar o despertador do celular.
A diminuição ou o aumento da dose podem acarretar sérias consequências, desde o agravamento da doença até intoxicação pelo excesso de medicação. Por isso, é fundamental seguir o tratamento exatamente como prescrito.
Muitas medicações exigem protetores gástricos por serem muito fortes e, nesse caso, a ordem de cada remédio influencia no resultado. Assim, quando uma das drogas pode causar prejuízos, outros remédios precisam ser prescritos para conter os seus efeitos colaterais. Se este é o seu caso, organize uma tabelinha com o horário e a ordem de seus remédios. Qualquer mudança ou esquecimento deve ser informado ao seu médico.
O uso de medicamentos sem prescrição médica ou por um período maior do que o recomendado pode mascarar doenças ou ainda gerar uma superbactéria resistente a esses remédios.
O ideal seria que existisse um sistema de saúde inteligente, no qual diferentes médicos possam acessar o histórico de um mesmo paciente sem que ele precise carregar pilhas de exames e receitas. Enquanto essa facilidade não existe, continue levando esses documentos e uma lista com os remédios que está tomando sempre que for ao médico. "Isso facilita muito o trabalho do profissional de saúde e evita combinações que possam potencializar ou diminuir o efeito das medicações. Amigos, medicação é uma coisa séria e deve ser prescrita, comprada e utilizada da forma mais responsável possível, visando minimizar sérios riscos à saúde do doente. Vale a pena seguir estas dicas e principalmente passar adiante.

